quinta-feira, 25 de outubro de 2012

As crônicas do esquecimento no Pátio do Sebo

Recife

As crônicas do esquecimento no Pátio do Sebo

Criado há 31 anos por trás da Avenida Guararapes, no bairro de Santo Antônio, espaço está abandonado e sem atrativos

Publicado em 24/10/2012, às 21h24

Cleide Alves

 / Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem


Esquecido, abandonado e sem atrativos, o Pátio do Sebo continua brigando por mais visibilidade no Centro do Recife. O espaço, criado há 31 anos por trás da Avenida Guararapes, no bairro de Santo Antônio, tem 19 boxes para comercialização de livros usados. Apesar da longevidade, não há uma placa de sinalização na cidade indicando a existência do lugar. O caminho de acesso é cheio de buracos nas calçadas e o entorno repleto de bares barulhentos.
“Só vem aqui quem conhece. Eu achei porque estava fuçando as ruas do Centro. A praça deveria ser mais aberta à população”, afirma a estudante de pedagogia Maria Luzinete de Oliveira Bezerra, frequentadora do local e moradora da Ilha de Itamaracá, ao Norte do Grande Recife. “É lamentável, mas a prefeitura não incentiva o pátio de leitura da cidade, o lugar é muito escondido, mesmo no Centro”, acrescenta o estudante de direito Tiago Rodrigo de Lima, outro habitué.
Variedade e preço acessível são apontados pelo consumidores como pontos positivos do sebo. Mas, para circular por lá é preciso ignorar a precariedade das calçadas, as fachadas enferrujadas dos boxes, os desocupados dormindo nos bancos, os papelões espalhados no chão e o som alto das músicas que vêm dos bares e das carroças de vendedores de CDs. O clima não combina com leitura, destaca Heitor Medeiros, um dos comerciantes do pátio.
Quando precisa explicar o endereço, ele usa o oitão do Banco do Brasil da Avenida Guararapes como referência. “Toda vez, escuto o mesmo comentário: ali não tem apenas bar, não?”, diz Heitor. Ele aponta o quadro de luz dos banheiros todo quebrado e com ferros expostos na entrada de um dos boxes. Aliás, os sanitários públicos passam até uma semana interditados, por falta de água, informa. A iluminação falha obriga os comerciantes a encerrarem o expediente às 17h30.
Sebos
As lâmpadas são acesas após às 18h, mas só uma ou duas funcionam, avisa Leonilda Daniel da Silva, que administra um boxe há seis anos. “Sem iluminação não há segurança, ficamos ao deus-dará. Ninguém vê um guarda municipal no Pátio do Sebo”, comenta. A implantação de faculdades particulares nas Avenidas Guararapes e Dantas Barreto, em volta da praça, começa a criar novos ânimos. “A clientela tende a aumentar, mas faltam atrativos e infraestrutura”, reforça Leonilda.
ABAIXO-ASSINADO - Ela entregou um abaixo-assinado pedindo limpeza e recuperação do Pátio do Sebo à prefeitura e a candidatos que concorreram nas últimas eleições municipais. “Não surtiu efeito”, informa a comerciante. A falta de manutenção verificada no pátio é extensiva à feira de livros usados da Rua Marquês do Recife, separada da pracinha pela Avenida Dantas Barreto. Os comerciantes fazem as mesmas queixas e esperam o ordenamento das barracas.
O sebo da Marquês do Recife, também no bairro de Santo Antônio, funciona há 25 anos, de acordo com trabalhadores do lugar. “Mesmo assim, estamos de mal a pior, nenhuma melhoria é feita”, declara o comerciante Adriano Pereira de Souza. Cercadas por bares populares e música alta, as barracas estão sempre envoltas em cheiro de urina. “O odor é insuportável, as pessoas que frequentam os bares fazem xixi nas calçadas. Não é o mesmo público do sebo”, diz ele.
Edleusa da Silva Passos, cliente da local há 15 anos, gostaria de “barracas mais bonitas, um lugar mais atrativo e um ambiente para receber as crianças e estimular a leitura desde cedo.” Ela chama a atenção para as calçadas quebradas e a ausência de sanitários públicos. “O cheiro de xixi é horrível”, reforça. “O novo prefeito herdou um pepino para resolver”, diz Adriano Pereira. Há mais de 30 fiteiros para venda de livros e discos de vinil, enferrujados. Lonas protegem o local de chuvas. O movimento nos dois pontos é maior no período de matrícula nas escolas e início do ano letivo.
Em nota enviada pela Assessoria de Comunicação, a prefeitura informa que a revitalização do Pátio do Sebo e da Rua da Roda (via que leva à praça) está incluída num programa do Ministério das Cidades, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. O contrato entre o BID e o município encontra-se em fase de conclusão e a elaboração dos projetos deve começar em janeiro de 2013. A Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) limitou-e a dizer que pretende inserir a praça na programação de reforma de espaços públicos da cidade.

Fonte:

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2012/10/24/as-cronicas-do-esquecimento-no-patio-do-sebo-61357.php

Nota do Blog:



Para quem frequentou a Praça do Sebo como eu na década de 80, sabe muito bem quanta diferença para os dias atuais. Lá os jovens estudantes procuravam livros de diversas categorias, outros clientes amantes da literatura garimpavam obras raras. As consultas com os livreiros é outro ponto memorável, destaque para o saudoso Melquisedeque.
Hoje é uma cena lamentável de abandono, sujeira e degradação.
Figuras ilustres como Dr. Liêdo Maranhão, ainda é visto circulando entre os boxes, mas esta Praça, como muitos outros pontos da nossa cidade, está literalmente entregue a ratos e baratas.
 

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