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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Bonito-PE ( Pedra do Rodeadoro)


Pedra do Rodeadoro



Localizada a nove quilômetros da zona urbana, A Pedra do Rodeadouro, ou Rodeador- como é conhecida pela população- será transformada em Monumento Natural de Bonito, por iniciativa das autoridades municipais, apesar de estar localizada numa área particular. A preocupação em preservar o local, que faz parte da Fazenda São José, e que tem 300 metros de altura, pauta-se na, principalmente no fato de ter sido cenário de um importante episódio histórico Nacional.

Foi no seu entorno, entre os anos de 1811 e 1820, que se instalou a primeira e maior comunidade sebastianista da história brasileira, comandada pelo desertor das milícias Silvestre José dos Santos, que chegou a Bonito fugindo de Alagoas.

Autor do livro Paraíso terreal: a rebelião sebastianista na Serra do Rodeadouro, publicado em 2004, o historiador Flávio José Gomes Cabral diz que o episódio, desconhecido da maioria dos pernambucanos, tem características messiânicas, como Canudos, e que mesclou ritos de um catolicismo popular à espera de um rei redentor, Dom Sebastião, morto há séculos na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos.

Segundo registros históricos, Silvestre chegou à região entre os anos de 1811 e 1812, na companhia do cunhado Manoel Gomes das Virgens, também desertor. Juntos, fundaram o arraial designado de Reino ou Cidade do Paraíso Terreal. O acampamento contava com cerca de 150 casebres, construídos e cobertos de palha. A comunidade acreditava que Dom Sebastião retornaria, e que sua volta os pobres enriqueceriam e os lideres da comunidade se transformariam em príncipes, saindo dali para conquistar o mundo e corrigir as desigualdades.

O local mais representativo do movimento era exatamente a pedra, que abriga furnas (espécies de cavernas) e onde, segundo a comunidade local, ouviam-se vozes humanas, manejos de armas e instrumentos tocando. O local era conhecido como lugar encantado. Dali, explica Flávio, se acreditava que Dom Sebastião sairia comandando um fabuloso exército para defendê-los do mal.

Mas, ainda ressabiadas pelo movimento rebelde de 1817, as autoridades governamentais, começaram a desconfiar de que a cidade de Paraíso Terral se maquinava uma nova revolução contra a Coroa. Na madrugada do dia 26 de outubro de 1820, a comunidade começou ser atacada pelas tropas Imperiais. Composto por mulheres e crianças armadas de facas, pistolas, espadas, bacamartes e espingardas, o grupo defendeu seu território.

De acordo com relatos apurados, por Flávio Cabral, a população feminina era maior que a masculina, e as mulheres do Rodeadoro chegaram a ter cargos importantes na comunidade. Na madrugada do ataque das tropas, houve um massacre, que não poupou mulheres, crianças e velhos.

“Logo que o dia amanheceu, a grande quantidade de feridos e mortos foi amontoada e incendiada, formando uma imensa fogueira”, diz Flávio. Tais imagens inspiraram o Príncipe Dom Pedro I, futuro Imperador do Brasil, ao enfatizá-las, em um manifesto de 1 de agosto de 1822, dirigido à Nação, quando expressou: “Recordai-vos, Pernambucanos, das fogueiras de Bonito”.



Fonte: Revista Continente- nov/10

Imagem retirada da  internet



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